Calçada para todos!!

Caosçadas ou Passeios?

O dicionário Aurélio, define calçada como sendo “o caminho pavimentado para pedestres, quase sempre mais alto que a parte da rua destinada aos veículos e geralmente limitado pelo meio fio; passeio: percurso para exercício ou divertimento”. Já o Código de Trânsito Brasileiro define calçada como sendo “parte da via destinada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização e vegetação... podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres”.

É assim que o arquiteto e urbanista Ricardo Mesquita inicia seu texto sobre a situação caótica das calçadas do Brasil.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada realizou levantamento de quedas e tropeços de pedestres, apontando nove quedas por grupo de mil habitantes, a um custo de R$2,5mil por queda que, aplicado à população urbana de 140 milhões, representa um prejuízo superior a R$3 bilhões! Algumas perdas são irreparáveis como a do pedestre que “tropeçou na calçada de piso irregular, bateu a cabeça numa barra de ferro e morreu”(Folha de Londrina 14/06/97). A calçada em questão, em petit-pavé, situada em frente ao nº1021 da Av. João Gualberto, continua igual, com o mesmo obstáculo irregular, comprovando a total inobservância da Lei 9121/97 que estabelece que “as calçadas deverão oferecer, prioritariamente, toda segurança de trânsito aos pedestres, inclusive as pessoas com deficiência, uso de material liso e não derrapante, sem obstáculos de qualquer natureza, exceto os indispensáveis e de utilidade pública. ” O mesmo dicionário define “Histórico: digno de figurar na história” e “Digno: merecedor, apropriado, adequado”! Reflitamos se os revestimentos em pedras são dignos de figurar na nossa História!

O WebReforma traz algumas dicas e materiais para ajudar você na construção ou reforma da sua calçada:

Materiais permitidos

Em Curitiba, o Decreto Municipal 1066/06 estabelece os seguintes padrões de calçamento:

Padrão A: Blocos de concreto intertravados (paver): é um piso antiderrapante constituído de blocos de concreto pré-fabricados, assentados sobre colchão de pó de pedra, travados por contenção lateral e atrito entre as peças. É um calçamento permeável e, após a colocação, a liberação ao tráfego é instantânea. Suas principais vantagens são o fato de quanto mais gasto, melhor a aderência e, na eventualidade de precisar ser removido para a passagem de uma tubulação, é integralmente reutilizado, não gerando resíduos. 

     

 

Padrão B: CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente = asfalto) com e sem acabamento lateral em paralelepípedo. Sua principal vantagem é a rapidez na execução e sua maior desvantagem é a necessidade do deslocamento de uma equipe com matéria prima e rolo compressor em casos de recomposição por desgaste ou obras, gerando resíduos e contaminando o solo pela emulsão asfáltica.

     

Padrão C: Placa de concreto pré-moldado. Requer uma base muito bem compactada e serão assentadas sobre um lastro de concreto de 5cm e nos acessos de veículos que seja feito um lastro armado de concreto com tela metálica, pois não suporta carga de veículos. Quando são executadas obras acaba gerando a necessidade de retrabalho e muitos resíduos não aproveitáveis. Por ser rejuntado acaba formando uma superfície impermeável, porém quando apresenta fissuras em pouco tempo degrada pela erosão.

     

 

Materiais proibidos:

Pedras irregulares e lisas, porcelanatos, cerâmicas derrapantes são os maiores vilões contra os pedestres, notadamente aqueles com mobilidade reduzida, caso das pessoas com deficiência, idosos, gestantes, obesos. A NBR9050 determina que os pisos deverão ser antiderrapantes e oferecer segurança em qualquer condição. Muitos países, inclusive Portugal, estão substituindo as calçadas de pedras portuguesas por pisos antiderrapantes, também por uma questão econômica, pois aquelas, além de perigosas, são de difícil manutenção.

     

As calçadas devem ser “divididas” em três faixas: livre, de serviço e de acesso

Em Curitiba é obrigatório uma faixa de grama com 1m a partir do meio fio, que pode ser utilizada para arborização, placas, telefones, lixeiras e outros equipamentos públicos; em seguida uma faixa de passeio que, em calçadas com menos de 3m, deverá ter no mínimo 1,20m e de 1,50m em calçadas com mais de 3m do meio fio até o alinhamento predial; a faixa de acesso poderá receber pavimentação com a largura de 3 a 7m no acesso de veículos e de 1,20 a 1,80m no acesso de pedestres, o restante deverá ser gramado.


Ilustração de uma cidade acessível, sustentável e segura

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